O QUE FAÇO ATUALMENTE

A Força das Mulheres na Luta por Direitos e Saúde

A primeira mulher, com punho erguido, representa a resistência. Sua pele escura brilhava sob o sol, e o lenço vermelho amarrado em sua cabeça é o símbolo de luta e ancestralidade. Ela lembra a todos que a força não reside apenas na imposição, mas na determinação silenciosa de quem nunca desiste.

Em seguida, mulher de cabelos longos e volumosos permanecendo com remo sob sua canoa, conduzindo sua vida diária da Ribeirinha Amazônica. A água sob seus pés representa os desafios enfrentados diariamente, enquanto ela, com paciência e coragem, guia seu caminho entre dificuldades e conquistas.

Ao fundo, uma mãe carrega seu filho nas costas, equilibrando uma balde de água sobre a cabeça. Para ela, cada gota do balde é um símbolo de esperança e de futuro. Enquanto carrega seu filho e sonhos nas costas, ela acredita em dias melhores, ela representa a força de uma mãe que nunca desiste.

De vestido amarelo como sol, uma indígena grávida olha para o horizonte. Seu ventre, que abriga o futuro, pulsa com a energia de uma nova geração. Ela traz consigo a promessa de um amanhã melhor, onde a saúde e os direitos de todas as mulheres de sua tribo possam ser respeitadas e promovidas.

Essa foto expressa o momento após eu efetivar minha matrícula da Pós-Graduação em Direitos Humanos, Participação Social e Promoção Social da Saúde das Mulheres na FIOCRUZ

Fui chamada na terceira convocação do processo seletivo para a Pós-graduação em Direitos Humanos, Participação Social e Promoção da Saúde das Mulheres, na Escola de Governo Fiocruz – EGF Fiocruz Brasília!

Estou transbordando de felicidade e gratidão a Deus por mais essa oportunidade. A concorrência para essa Pós-graduação foi gigantesca, com duas listas anteriores de chamada, mas, finalmente, essa conquista chegou. Estar entre as selecionadas me enche de orgulho e me motiva ainda mais a dar o meu melhor nessa nova etapa.

Sei que não será fácil, mas estou pronta para o desafio e para crescer, tanto como profissional quanto como mulher. Ainda estou processando toda essa emoção, e vou compartilhar com vocês minha vivência acadêmica ao longo dessa jornada.

Acredito que esse é só o começo de uma fase incrível!

MEU NAE

AULA II E SEMINÁRIO

Seminário pela parte da manhã

Rayane Noronha (primeira na posição direita para a esquerda na foto) falou sobre a TRS - Teoria da Reprodução Social onde as mulheres negras enfrentam altas taxas de desemprego, informalidade e precarização do trabalho, com muitas mães solo. Enfatizou sobre o trabalho doméstico, majoritariamente feminino e negro, que é essencial para a reprodução social, mas desvalorizado.

Laura Lyrio (segunda na posição direita para a esquerda na foto), destacou o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) luta contra a violência no campo, que se intensificou com a abolição da escravidão e a falta de reforma agrária. E que, as comunidades rurais, apesar dos desafios, são espaços de resistência e soluções comunitárias.

Mercedes Queiroz (terceira posição direita para a esquerda na foto), abordou sobre o conhecimento tradicional de plantas medicinais, como a cansanção, tem dimensão política e de resistência.
A medicina moderna, com base capitalista e de dominação, reproduz desigualdades, como a menor anestesia para mulheres negras.

Cláudia Maciel (quarta na posição direita para esquerda na foto) enalteceu o hip-hop, como uma potência de expressão da população negra, que confronta a racionalidade da academia através da música. Não só isso, mas que mulheres negras são centrais no hip-hop, como "matrigestoras" de seus espaços e comunidades.

Foi impactante ouvir Adriana Fernandes (quinta na direita para a esquerda na foto) compartilhando sua experiência de luta contra o HIV, violência doméstica sofrida pelo ex-marido e o câncer, ressaltou a importância do letramento em saúde no campo. E que agora vive o momento de assentar em seu assentamento.

Ao participar do Seminário, algo em mim se remexeu profundamente. Falar sobre a terceirização de corpos e responsabilidades não é apenas uma questão teórica ou distante — é algo que vemos e vivemos todos os dias. A forma como a sociedade delega o cuidado, a dor é até mesmo a existência de certos corpos a terceiros, como se fossem fardos a serem carregados por alguém que não faz parte do “centro”, me fez refletir sobre o peso dessa injustiça.

O que mais me tocou foi perceber como a diversidade de corpos não é apenas uma pauta, mas uma realidade que insiste em existir, resiste e exige reconhecimento. Não se trata apenas de representatividade, mas de sobrevivência, de direito, de dignidade. São corpos que carregam histórias, que sentem, que enfrentam desafios diários simplesmente por ocuparem espaços que não lhes foram “permitidos”.

E então, vem a pergunta que não me deixa em paz: por que continuamos transferindo a responsabilidade de cuidar, de entender, de lutar, como se não fosse um compromisso coletivo? Como seguimos naturalizando essa lógica de exclusão e silenciamento? Esse tema mexe comigo porque, no fundo, fala sobre algo essencial: humanidade. E embora não consideremos a humanidade em todos os corpos, continuaremos terceirizando não apenas responsabilidades, mas também vidas.

AULA III

Ao longo desse módulo, fui tomado por um turbilhão de reflexões. Não era apenas uma aula sobre saúde e políticas públicas para as mulheres — era um encontro com realidades, vivências e lutas que ecoam dentro de cada mulher. A forma como a determinação social da saúde foi abordada, ligando teoria e prática, me fez enxergar com ainda mais claramente como as desigualdades atravessam os corpos das mulheres, definindo quem tem acesso ao cuidado, quem tem voz e quem segue sendo silenciado.

O que mais me tocou foi a presença marcante das professoras que conduziram esse debate. A interseccionalidade ficou ainda mais evidente ao ver como o feminismo negro foi tratado com profundidade e respeito, com a participação da Profª Lia Maria. Suas palavras não trouxeram apenas conhecimento, mas também um chamado à responsabilidade: não há como falar sobre os direitos das mulheres sem considerar raça, classe e território. O que significa ser mulher em um país onde a violência, o racismo e a desigualdade ainda ditam quem sobreviveu e quem é esquecido?

As discussões trazidas pelas professoras Claudia Araújo e Ivância sobre violência contra a mulher também me impactaram profundamente. Não dá para falar de políticas públicas sem olhar para as marcas que essa violência deixa nos corpos e nas mentes das mulheres. A cada dado, a cada relato, sinto um misto de indignação e urgência.

Mais do que um aprendizado acadêmico, essa experiência foi um despertar. A metodologia adotada fez toda a diferença, porque não se tratava apenas de ouvir e absorver, mas de se envolver, questionar e se considerar nesse processo. Saio dessa aula carregando não só conhecimento, mas também o compromisso de não me calar diante das injustiças que tantas mulheres enfrentam.

AULA IV

A abordagem da professora Jaqueline ao criar estudos de caso, como a personagem Ana Clara, é um exemplo brilhante de como integrar questões de gênero, saúde e direitos humanos de maneira sensível e realista. Ela apresentou uma análise profunda, ao destacar o contexto e as situações enfrentadas por mulheres LBT. Essa abordagem, além de promover uma reflexão crítica sobre as vividas por essas mulheres, envolveu meu envolvimento com o conteúdo de maneira empática, estimulando a compreensão das complexidades do cotidiano de minorias. A forma como a professora converteu essa discussão é um modelo de ensino que vai além da teoria, promovendo uma aprendizagem verdadeiramente significativa e transformadora.

ARRAIAL DA FIOCRUZ

SEMINÁRIO

A discussão conduzida por Tatiana Ribeiro e Sueli Gama mostrou como a religiosidade pode ser tanto um refúgio quanto um obstáculo para as mulheres no acesso a seus direitos. A relação entre fé, saúde mental, racismo religioso e preconceitos revela a necessidade de construir espaços mais inclusivos, onde a espiritualidade fortaleça, em vez de limitar, a autonomia e a dignidade das mulheres.

Mauricéa tocou a minha alma. A leveza com que ela trouxe a arte e a poesia para a sala de aula me tocou profundamente. A ideia de olhar para o curso, para a sala e até mesmo para o conteúdo com uma nova perspectiva, mais suave e criativa, me fez repensar a maneira como aprendo. A professora não só dominava o conteúdo, mas tinha uma capacidade incrível de criar um ambiente acolhedor e inspirador, o que facilitou a interação e o engajamento de toda a turma. Essa experiência me mostrou o poder da empatia e da criatividade no ensino, algo que vou levar para sempre.

O que mais me marcou no seminário foi a profundidade com que a reverenda Tatiana Ribeiro e a mãe de santo Sueli Gama abordaram a relação entre religiosidade e os direitos das mulheres. A forma como elas conectaram saúde mental, falta de autoridade, racismo religioso e preconceitos me fez refletir sobre o quanto esses fatores ainda impactam a vida de tantas mulheres, especialmente as negras e periféricas. Perceber que a fé, que para muitas é um refúgio, também pode ser um espaço de opressão e exclusão foi algo que me trouxe muitas reflexões. A discussão me fez enxergar com mais clareza a necessidade de lutar por um ambiente onde todas as crenças sejam respeitadas e onde a religiosidade não seja usada como justificativa para negar direitos. Foi um momento de aprendizado e de profunda inquietação sobre o papel das estruturas religiosas na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Sou Livre - Mauricéa Santana

AULA VI

AULA VII

A abordagem da professora no módulo Reforma Sanitária Brasileira e a Luta dos Movimentos Sociais trouxe uma conexão profunda entre a reforma sanitária e os movimentos sociais, destacando como os determinantes sociais impactam diretamente a saúde da população. A condução do conteúdo demonstrou um conhecimento aprofundado e uma metodologia que permitiu uma compreensão ampla das desigualdades estruturais. Mesmo sem ter estado presente na aula, ficou evidente, pelos relatos das minhas colegas, que a discussão proporcionou reflexões importantes sobre a necessidade contínua de reivindicação do direito à saúde, especialmente para grupos historicamente marginalizados. A forma como a professora estruturou o tema despertou nos participantes uma inquietação sobre a importância da mobilização social na construção de um sistema de saúde mais justo e acessível.

AULA VIII

A educadora desempenhou um papel fundamental ao incentivar a turma a ampliar o olhar sobre a saúde e o espaço em que vivem, promovendo reflexões a partir de diferentes perspectivas. Sua abordagem desafiou as colegas a pensarem de forma inovadora sobre intervenções nas comunidades, tomando como base as demandas compartilhadas. Pelos relatos das colegas, ficou evidente que as aulas foram essenciais para aprofundar a compreensão sobre as dificuldades espaciais, ambientais e de saúde enfrentadas atualmente. Mesmo sem ter estado presente, percebe-se que a experiência proporcionou um olhar mais crítico e reflexivo sobre as dinâmicas que influenciam a saúde coletiva e o papel de cada um na construção de soluções para essas questões.

AULA IX

Pelos relatos de minhas colegas, as aulas da Professora Renata foram extremamente relevantes, proporcionando um ensino metodológico aprofundado sobre a vigilância em saúde e sua relação com o meio ambiente. A educadora estimulou a turma a refletir criticamente sobre a influência do espaço, da região e do conceito de lar na saúde da população. Minhas colegas, afirmaram que os debates foram significativos e trouxeram questionamentos essenciais sobre como os fatores ambientais impactam diretamente a qualidade de vida. Mesmo sem ter estado presente, (devido a problemas de saúde), pude perceber que a abordagem adotada despertou reflexões valiosas e ampliou a compreensão da turma sobre a complexidade desses temas.

Baseado nas informações de minhas colegas, a professora Juliana desempenhou um papel fundamental ao incentivar a turma a ampliar a visão sobre saúde e o espaço em que vivem. Sua abordagem desafiou as colegas a pensarem de forma inovadora sobre intervenções nas comunidades, considerando as demandas compartilhadas. 

AULA X

AULA XI

Professora Roberta

As aulas da professora Roberta foram um marco para mim. A forma como ela articulou teoria e prática trouxe uma compreensão profunda e acessível. O que mais me impactou foi a análise sobre a proteção internacional e o papel da Corte Interamericana de Direitos Humanos. As violações de direitos analisados, se conectaram com os desafios das políticas públicas nacionais. Ainda há muito a avançar. As discussões foram instigantes, e saí da aula com um olhar mais crítico e analítico sobre o tema. 

Professora Marina

As aulas da professora Marina sobre os direitos do paciente foram muito esclarecedoras e demonstraram seu amplo domínio do assunto, especialmente por ser advogada. Ela apresentou uma base sólida sobre os direitos humanos na saúde, destacando a importância de garantir o acesso à saúde de forma justa e equitativa. Durante as aulas, discutimos questões essenciais, como o direito à informação, ao consentimento livre e esclarecido,  além de abordar o direito à saúde de qualidade e à proteção contra tratamentos desumanos ou degradantes. No entanto, senti falta de um aprofundamento maior sobre as populações mais vulneráveis, como pessoas em situação de rua, migrantes e, especialmente, questões de gênero, que são cruciais para compreender as desigualdades no acesso e na prestação de cuidados de saúde.

Professora Luiza

Luiza nos fez compreender a saúde da mulher de forma singular, indo além do conhecimento técnico e entrando nas vivências e desafios que atravessam nossos corpos. O estudo sobre a genitália feminina trouxe informações biológicas, mas também um debate essencial sobre tabus, autoconhecimento e a importância do cuidado integral.  
Outro ponto relevante foi a abordagem sobre condições que afetam muitas mulheres, mas ainda são pouco discutidas, como a incontinência urinária. Muitas mulheres enfrentam esse problema e, por falta de informação, não sabem que existem tratamentos eficazes, como a fisioterapia pélvica, que pode melhorar significativamente a qualidade de vida. Isso reforça a necessidade de mais espaços de acolhimento e informação para que mulheres possam conhecer e reivindicar seus direitos, garantindo uma atenção integral e humanizada à saúde.

Professora Ana Paula

A professora Ana Paula abordou  sobre o desenvolvimento da mulher idosa e os desafios que ela enfrenta ao longo da vida e ela trouxe dados atualizados que evidenciaram como o envelhecimento feminino é marcado por desigualdades estruturais, desde o acesso à saúde até as condições socioeconômicas que afetam a nossa qualidade de vida. Ela fez um alerta sobre a importância da vigilância em saúde para essa população, destacando a necessidade de um acompanhamento médico contínuo e políticas públicas eficazes. No processo de envelhecimento feminino esbarramos de cara com a menopausa, a osteoporose e a incontinência urinária. Essas  doenças crônicas, são negligenciadas na atenção primária à saúde. Outro ponto importante abordado foi a solidão e a vulnerabilidade social que muitas mulheres idosas enfrentam, especialmente aquelas que não têm rede de apoio ou vivem em situação de pobreza


ENCERRAMENTO DO CURSO

No encerramento do curso, Elionice falou sobre a importância dos saberes ancestrais e da resistência das mulheres das águas na luta pela preservação dos territórios tradicionais. Para as comunidades pesqueiras e quilombolas, essas mulheres desempenham um papel central na defesa do modo de vida, enfrentando ameaças como a expropriação de terras e a degradação ambiental. Através da transmissão de conhecimentos, da organização coletiva e da valorização de suas histórias, elas reafirmam sua identidade e fortalecem a busca por direitos. O protagonismo feminino nessa resistência não apenas protege a cultura e os territórios, mas também garante autonomia e dignidade às mulheres que fazem das águas sua casa e sustento.

Na aula, a professora falou sobre pluralismo bioético, destacando a responsabilidade e o compromisso com a vida das mulheres. Ela ressaltou a importância de reconhecer a diversidade de experiências e garantir um cuidado em saúde que respeite as especificidades femininas, promovendo equidade e autonomia. Além disso, abordou a comunicação não violenta como uma ferramenta essencial para fortalecer o diálogo e a escuta ativa, permitindo que as mulheres sejam protagonistas em suas próprias decisões de saúde. Através dessas abordagens, reforçou a necessidade de uma prática ética e humanizada, comprometida com a justiça social e os direitos das mulheres.

A POTÊNCIA DO SER MULHER

PROFESSORA MAURICÉIA AUTOGRAFANDO SEU LIVRO

UMA POTÊNCIA EM MARCADOR DE LIVRO

A CAPA DO LIVRO FICOU PERFEITA E FOI ELABORA PELA COLEGA DE TURMA KARU.

Photography

“You can make anything by writing.”

C. S. Lewis